Planning poker: como estimar em equipe
Cada pessoa escolhe uma carta em segredo, todas aparecem ao mesmo tempo e as diferenças começam a conversa. Como estimar em equipe e jogar no Prior.
Planning poker é um jeito de a equipe dimensionar o trabalho em conjunto. Cada pessoa escolhe uma carta em segredo, todas as cartas são mostradas no mesmo momento, e a equipe conversa sobre as diferenças antes de fechar um número. O número importa menos do que aquilo que a conversa revela.
De onde vem
James Grenning definiu e batizou o planning poker em 2002. Mike Cohn o popularizou no livro Agile Estimating and Planning (2005). É uma variação do Wideband Delphi, um método de estimativa em grupo que vem do método Delphi, desenvolvido na RAND Corporation: estime sozinho primeiro, compare, discuta e estime de novo.
As equipes o usam com story points, uma medida relativa de tamanho. O baralho de Cohn segue uma sequência parecida com a de Fibonacci: 0, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40 e 100. As lacunas se alargam de propósito: quanto maior o trabalho, menos precisamente alguém consegue dimensioná-lo, então o baralho não oferece 14 nem 15.
Por que funciona
Cartas secretas evitam a ancoragem. Quando a primeira pessoa diz um número em voz alta, todos os outros já o ouviram. Jorge Aranda e Steve Easterbrook mostraram em um experimento que um número inicial puxava as estimativas de software para perto dele (ESEC/FSE, 2005). Escolher em privado e revelar juntos elimina esse primeiro número.
Discordar é informação. Quem jogou a carta mais alta muitas vezes conhece um trabalho que os outros não viram. Quem jogou a mais baixa pode conhecer um atalho. O conselho de Cohn é deixar essas duas pessoas explicarem primeiro, e evitar tirar a média, porque a média esconde por que as pessoas discordaram.
Não é uma forma de superar um especialista. Em um projeto de software, K. J. Moløkken-Østvold e N. C. Haugen compararam tarefas estimadas com planning poker a tarefas estimadas por especialistas individuais (Australian Software Engineering Conference, 2007). As estimativas em grupo foram menos otimistas e mais precisas do que a média das estimativas individuais, mas os especialistas trabalhando sozinhos foram quase tão precisos quanto os grupos. O ganho prático é o entendimento compartilhado, não um número melhor.
Como conduzir uma sessão
- Prepare uma lista curta de histórias. Cada uma deve dizer, em poucas linhas, quem quer o quê e por quê. Estime o que você vai puxar para o próximo sprint ou os dois seguintes, não o backlog inteiro.
- Combine uma referência. Escolha uma história já concluída e concordem sobre o tamanho dela. As outras são dimensionadas em relação a ela.
- Leia uma história e responda às perguntas. O product owner responde. A equipe pergunta o que significa “pronto”.
- Cada pessoa escolhe uma carta virada para baixo. Sem dicas, sem olhar para a carta do outro lado da mesa.
- Revelem juntos.
- Se as cartas diferem, a mais alta e a mais baixa explicam. Seja breve. Depois votem de novo.
- Pare quando a equipe puder sustentar um número. Não tire a média. Se três rodadas não convergirem, deixe a história de lado: ela precisa de mais informação ou precisa ser dividida.
- Divida as histórias que recebem as cartas mais altas. As cartas maiores significam “isto é grande demais para planejar”. Corte em pedaços e dimensione esses pedaços.
Três pessoas, Ana, Ben e Chloé, dimensionam a história “Como usuário, quero redefinir minha senha por e-mail”. A primeira rodada mostra 3, 5 e 13. Ben, que jogou 13, explica: o ambiente de homologação não tem serviço de e-mail, e os links de redefinição precisam expirar. Ana, que jogou 3, tinha presumido que os e-mails de cadastro podiam ser reaproveitados. Chloé acrescenta que a expiração do link precisa de testes próprios. Na segunda rodada, jogam 5, 5 e 8 e concordam em 5. Eles também acrescentam “Configurar e-mail no ambiente de homologação” como uma história própria. A estimativa levou quatro minutos e encontrou uma peça que faltava.
Erros a evitar
- Tirar a média das cartas. Um 3 e um 13 não fazem um 8.
- Falar primeiro. O número de uma pessoa sênior define o clima da sala. Mantenha as cartas viradas para baixo até que todos tenham escolhido.
- Transformar pontos em horas. “Um 5 é um dia” anula o propósito de uma escala relativa.
- Estimar sem as pessoas que vão fazer o trabalho. No Scrum, os Desenvolvedores que farão o trabalho são responsáveis por dimensionar, segundo o Scrum Guide.
- Debates longos. Limite o tempo de cada história. Uma discussão longa indica que a história não está clara.
- Estimar tudo. Dimensione o que será iniciado em breve. Trabalho muito distante muda antes que você chegue até ele.
Quando não é a ferramenta certa
- Para uma equipe de uma ou duas pessoas. Conversem sobre o assunto.
- Quando as histórias são todas de tamanho parecido. Conte as histórias.
- Para um backlog grande. 200 histórias são uma tarde longa. Dimensione-as de forma aproximada com tamanhos de camiseta primeiro, e jogue o poker nas mais próximas.
- Para trabalho desconhecido. A pesquisa não pode ser dimensionada. Defina um limite de tempo para ela e dimensione o que você aprendeu.
No Prior
O Prior tem uma mesa de poker em todo projeto Scrum e nos projetos Scrumban que a acrescentarem. Veja como funciona uma sessão.
- Configure o projeto. Escolha Ágil · Scrum em Tipo de projeto ao criar ou editar o projeto. Para Ágil · Scrumban, abra Adicionar uma visualização e escolha Planning Poker. Convide a equipe com Compartilhar um projeto. Proprietários e editores jogam, e leitores acompanham.
- Abra a aba Planning Poker e Escolha as histórias. Marque as histórias a dimensionar, de 1 a 50. As seleções rápidas incluem Ainda sem estimativa, o sprint ativo e o próximo sprint, Fora de qualquer sprint e Todas as tarefas abertas. Escolha o baralho e pressione Começar o jogo.
- Convide a mesa. Cada membro recebe um cartão, “Alex iniciou um Planning Poker”, com Entrar na mesa.
- Jogue a sua carta. A sua mão fica embaixo. Clique em uma carta, ou digite o valor: 5, 1 3, ? ou C para a carta de pausa para o café. As cartas ficam viradas para baixo, e a mesa mostra “3 de 5 votaram”. Backspace retira a sua carta antes da revelação.
- Revele. Quem conduz a mesa pressiona Revelar cartas (Enter). Todas as cartas viram juntas. Quando os votos diferem, a mais baixa e a mais alta recebem as marcações Mais baixo e Mais alto.
- Converse e decida. Votar de novo (R) distribui outra rodada. Aceitar 5 pontos (Enter) grava o valor na tarefa e passa para a próxima história. Quando as cartas diferem, a sugestão é a carta do baralho mais próxima da média. Use o lápis, Escolher outro valor, para aceitar o que a equipe combinou.
- Encerre. Quando todas as histórias têm estimativa, a mesa mostra o total. Encerrar a sessão fecha tudo.

Alguns detalhes:
- Três baralhos. Fibonacci (0 a 21), Fibonacci modificado (acrescenta ½, 20, 40 e 100) e Tamanhos de camiseta (de XS a XL, valendo 1, 2, 3, 5 e 8 pontos). Cada um também tem uma carta Não tenho certeza e uma carta Pausa para o café.
- Ninguém espia. As cartas dos outros jogadores ficam ocultas pelo servidor até a revelação.
- Grande demais. Acima de 13 pontos, o resultado fica âmbar: “21 pontos: grande demais para um sprint”. Dividir a tarefa vira a ação principal, e Manter 21 pontos mesmo assim continua disponível. Se a sua conta tem o Pro, o Prior AI propõe as partes. Elas viram subtarefas e entram na mesa logo após a história. Veja Dividir uma história.
- O menu da sessão. O botão Sessão, no canto superior direito, lista as histórias e deixa quem conduz a mesa pular para uma delas, Pular esta tarefa, Dividir esta tarefa ou Encerrar sessão.
- Jogando sozinho. Um projeto que não é compartilhado joga solo: “Você está jogando solo.” Você percorre as histórias e aceita cada estimativa, e Compartilhar para jogar em equipe está a um clique.
- Sem voz. O Prior cuida das cartas, não da conversa. Mantenha a sua chamada de sempre aberta.
A referência completa está em Planning Poker, e a escala é explicada em Story points.